O QUE A LONGEVIDADE FAZ PENSAR

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A segunda sessão plenária, de 13 de setembro, sobre o tema “Os Impactos Sociais e Econômicos da Longevidade”, abriu agora há pouco com a mediadora, a jornalista Thais Heredia, afirmando que o Brasil não pode deixar as reformas estruturais para mais tarde, tais as carências brasileiras.

Cassio Maldonado Turra, PhD em demografia e professor da URMG, apresentou alguns fatos sobre a longevidade no mundo. Em primeiro lugar, é um fato recente. Na França, em 1950, a expectativa de vida era de 66 anos. Nos Estados Unidos, em 1900, de menos de 50 anos. Na média, o crescimento tem sido bastante linear, 2 meses por ano vivido. Mas, as vezes acontece de algum país trazer números à frente dos outros, divergindo da média global. No Brasil, porém, há dúvidas sobre se o pais conseguirá manter sem recuos os ganhos da longevidade, em decorrência das condições mais difíceis de vida da população de menor renda, um grupo que melhorou nos últimos anos muito em função de uma ação mais intensa do Estado. Mas, como a renda é mal distribuída, verifica-se uma desigualdade na distribuição da longevidade entre os diferentes grupos na população brasileira. “Os públicos que os fundos de pensão brasileiros atendem provavelmente são mais longevos”, notou Turra.

Observou também haver transições simultâneas, como a demográfica, epidemiológica, educação, mercado de trabalho, familiar e urbana, tudo simultâneo, trazendo mudanças para a população e “os públicos que os fundos de pensão atendem”. Mas as alterações na demografia parecem ter atropelado as demais, tão forte estão ocorrendo as transformações.

Mas nada pode ser analisado sem se ver ao mesmo tempo as políticas públicas relativas aos idosos, algo que impacta naturalmente os fundos de pensão. Na Europa, o Estado tende a transferir renda para esse público mais longevo. Nos EUA, o idoso depende mais da poupança que acumulou ao longo da vida. Na Ásia, as famílias desempenham um papel mais importante no financiamento da vida do idoso. Na América Latina, Estado e família dididem esse papel.

Há limite para a longevidade? Uma pergunta importante para fundos de pensão. O que vai definir é o deslocamento da idade máxima, que se crescer levará consigo a longevidade como fenômeno que afeta o cidadão médio.

Quanto ao mercado de anuidades e risco de longevidade, vale a pena conhecer melhor o uso que os mercados estão fazendo cada vez mais de instrumentos como os derivativos.

Já Jorge Felix, pesquisador em envelhecimento populacional e professor da USP, olhou o tema mais pelo ângulo das ciências sociais, que não explicam a frase de que o Brasil envelhece antes de tornar-se rico, ao contrário de outras nações que se desenvolveram há mais tempo. A Europa, por exemplo, envelheceu com o Estado muito presente na vida do cidadão. Hoje, o desafio que se coloca para os países da América Latina é ver as suas populações envelhecerem em um mundo “financerizado” e os estados sob pressão para se tornarem menores. No caso brasileiro, muitos municípios que vivem em boa parte da transferência de renda da Previdência Social poderão sofrer muito.

A crise de 2008 agravou ainda mais o quadro, porque também os países desenvolvidos passaram a estar pressionados e buscam manter um mínimo de Estado de bem estar social financiando-o com a renda retirada das nações mais pobres.

A longevidade não mexe apenas com a previdência, impactando a economia como um todo e a saúde, é claro. Assim, os anos a mais de vida trazem também oportunidades de negócios, como o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços para a terceira idade. Essa é a estratégia dos países mais ricos em matéria de “economia da longevidade”, centrada em boa parte na robótica. “Os países disputam quem vai sair na frente no mercado dos robôs cuidadores de idosos”, disse Jorge Félix.

Bradley Schurman, consultor sênior da AARP, começou dizendo que longevidade é antes de mais nada razão de orgulho, e prazer especialmente se conseguirmos viver mais com mais saúde. E terem emprego por mais tempo, em benefício não apenas do cidadão mas também da economia do país.

Reconheceu que pela primeira vez houve redução na expectativa de vida e, logo, na população de homens brancos, algo causado por uma queda no otimismo e confiança na capacidade de resolver os seus problemas. “Há nos EUA partidos que não são inclusivos”, notou Schurman, sugerindo que essa parcela da população está se sentindo menos segura e excluída.

“A economia precisa incluir os idosos”, observou Schurman, completando que essa faixa de pessoas mais velhas em 2050 somarão 2 bilhões de pessoas. No Japão, já se produz mais fraldas para pessoas idosas do que para bebês.

Para a sociedade isso significa que a liderança virá dos países que mais avançarem na solução dos problemas associados à longevidade. Há em andamento uma intensa busca de soluções e oportunidades.

Fonte: Notícias de 13/09 do 37º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão