O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, consolidou-se como um marco internacional de mobilização por direitos trabalhistas, direito ao voto, igualdade de direitos e enfrentamento de discriminações e violências. A origem remete aos Estados Unidos, em 1909, quando foi celebrado o Dia Nacional da Mulher. Em 1975, a ONU oficializou o 8 de março como Dia Internacional da Mulher.
Ao longo de mais de um século, houve conquistas reais. Ainda assim, é inegável que permanece muito a fazer para que a igualdade de direitos se traduza em igualdade concreta e para que o combate à violência contra a mulher avance de forma efetiva.
Nesse percurso histórico, há um dado particularmente expressivo: a longevidade feminina. No Brasil, desde aquele início do século XX, a expectativa de vida ao nascer das mulheres saiu de 34,6 anos e chegou aos atuais 79,9 anos. Entre os homens, a expectativa de vida ao nascer passou de 33,4 para 73,3 anos. Em outras palavras, a longevidade aumentou para todos, mas avançou ainda mais para as mulheres. A diferença, que era de cerca de 1 ano e 2 meses em favor delas, ampliou-se para aproximadamente 6 anos e 7 meses.
Viver mais é uma excelente notícia. Como quase tudo na vida, porém, essa vitória traz uma consequência direta: quando a expectativa de vida é maior, a necessidade financeira para sustentar a longevidade também tende a ser maior. Por isso, em média, o planejamento previdenciário das mulheres precisa ser mais robusto, porque a aposentadoria tende a durar mais tempo.
E aqui há um ponto que, muitas vezes, ainda não ocupa o centro das pautas de igualdade: o controle sobre os investimentos e, especialmente, a preparação financeira para uma vida mais longa. Persistem resquícios de uma visão machista e ultrapassada segundo a qual mulheres “não entendem” de investimentos. Investimentos não têm gênero. Competência financeira se aprende, se treina e se fortalece com prática e informação. Acompanhar, entender e participar das decisões financeiras e de investimento é uma forma concreta de proteção e de liberdade. Se, em algum momento, você delegou completamente esse tema, vale a pena rever.
Voltando ao coração da questão, há um cuidado técnico que faz diferença: para planejar aposentadoria, a expectativa de vida ao nascer é um indicador limitado. Para um planejamento previdenciário mais realista, faz mais sentido considerar a expectativa de vida a partir de uma idade de referência, como 65 anos. Segundo as Tábuas de Mortalidade 2024 do IBGE, a mulher que atinge 65 anos tem expectativa média de viver até 85,1 anos. Além disso, um estudo publicado na Revista Contabilidade & Finanças da USP indica que a escolaridade pode elevar em até 5,4 anos a expectativa de vida feminina após os 65 anos.
O recado é claro: para mulheres de estratos socioeconômicos mais elevados, a expectativa de vida pode chegar a 90 anos. E é importante lembrar que expectativa de vida é uma média: se considerarmos 90 anos como referência, aproximadamente 50% das pessoas viverão menos e 50% viverão mais. Em previdência, planejar apenas com base nessa média costuma ser insuficiente, porque o risco financeiro não está em viver menos, e sim em viver mais do que o previsto.
Longevidade é, portanto, uma variável central de planejamento. Se a aposentadoria precisa sustentar mais anos, a conta muda: o patrimônio tende a precisar ser maior, o risco de o dinheiro acabar antes da vida aumenta, e as decisões sobre contribuição, alocação e proteção tornam-se mais sensíveis ao tempo. E existe um segundo componente, muitas vezes invisível, que pressiona ainda mais esse planejamento: a economia do cuidado.
Segundo o IBGE, em 2022, as mulheres dedicaram, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e/ou cuidados, contra 11,7 horas dos homens. Essa diferença reduz tempo e energia para qualificação e para acompanhar o próprio planejamento financeiro, o que pode adiar decisões, enfraquecer a disciplina de poupança e dificultar uma estratégia previdenciária consistente. Além disso, o cuidado costuma se prolongar ao longo da vida, muitas vezes incluindo pais idosos e outros familiares, reforçando o paradoxo: viver mais é uma conquista, mas exige um plano mais robusto.
Em previdência, o “inimigo” raramente é a falta de inteligência. É a falta de revisão. Mesmo em carreiras estáveis, como as do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União, planos podem deixar de refletir a realidade atual: evolução remuneratória e progressões, mudanças na composição familiar e nas responsabilidades, inflação, ajustes de objetivos e, sobretudo, o aumento da longevidade.
Aqui entra um ponto crucial: quanto maior o salário e quanto mais elevado o padrão de vida, mais desafiadora tende a ser a transição para a aposentadoria. Para quem recebe um ou dois salários-mínimos, o benefício do INSS muitas vezes cobre a maior parte das necessidades essenciais. Já para os membros e servidores, que têm renda mais alta, a aposentadoria pode começar com uma dificuldade inesperada: a queda potencialmente brusca da renda, justamente quando as despesas continuam, e às vezes até aumentam. Com um bom plano de aposentadoria, essa transição deixa de ser um susto e passa a ser uma escolha, porque a renda complementar é construída ao longo do tempo para preservar o padrão de vida, garantir previsibilidade e permitir que a longevidade seja vivida com tranquilidade, não com aperto.
Porque, se existe um momento da vida em que dinheiro faz enorme diferença, é na velhice. É quando o corpo cobra mais cuidados, a saúde pode exigir gastos extras, a mobilidade diminui e a autonomia depende, muitas vezes, de serviços e adaptações que custam caro. Nessa fase, dinheiro não é luxo: é conforto, segurança e liberdade de escolha.
Por isso, neste 8 de março de 2026, o convite é direto: se você ainda não faz isso, assuma o controle sobre seus investimentos e revise seu plano de aposentadoria como quem revisa um documento de proteção da própria liberdade. Autonomia financeira não é desconfiança. É responsabilidade consigo mesma.
O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data simbólica. Ele pode ser também um marco de decisão prática: transformar longevidade em liberdade, e não em preocupação. Se o Brasil envelhece, e se as mulheres vivem mais e carregam uma parcela maior do cuidado, então revisar o plano de aposentadoria deixa de ser algo para depois. Passa a ser um ato de proteção, autonomia e dignidade para o futuro.
Para encerrar, fica um convite simples e prático: reserve ainda esta semana alguns minutos para olhar sua situação financeira e previdenciária com a seriedade que ela merece. Consulte seu extrato, simule diferentes idades de aposentadoria e estime por quantos anos sua renda precisará sustentar seu padrão de vida. Verifique se o percentual que você poupa hoje é compatível com esse horizonte e, se necessário, ajuste contribuições, estratégia de investimento e nível de proteção. Não se esqueça de avaliar mais uma precaução para você e sua família, em casos de imprevistos, como a incapacidade permanente ou morte, que pode ser compensada com a Cobertura Adicional de Riscos (CAR), que além de resguardar, ainda gera benefício fiscal. A longevidade é uma conquista. Com planejamento, ela também pode ser liberdade.