A Funpresp-Jud participou, nesta quarta-feira (6), do 15º Seminário de Investimentos nas EFPC, promovido pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), em São Paulo (SP). Representando a Fundação, o Gerente de Investimentos, Rodrigo Pereira de Almeida, integrou o Painel 3 – Gestão Integrada de Ativos e Passivos: Como conectar investimentos, obrigações e perfis de risco nas EFPCs.
Durante a apresentação, Rodrigo defendeu que a estratégia de investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Complementar deve ser construída com foco nos compromissos de longo prazo assumidos com os participantes, e não orientada por oscilações momentâneas do mercado ou por resultados imediatos.
Segundo ele, a gestão previdenciária exige uma visão contínua e de longo prazo, considerando toda a trajetória do participante e as obrigações futuras da entidade.
O gerente compartilhou a experiência da Funpresp-Jud na estruturação da estratégia de investimentos de um plano de contribuição definida (CD) com perfil jovem de participantes. “Nós [EFPCs] existimos para pagar benefício. Muita gente acha que a área de investimentos de um fundo de pensão tem o propósito de ganhar dinheiro. Na verdade, o propósito de pagar benefício vem antes”, afirmou.
A partir dessa premissa, Almeida explicou que a gestão dos ativos precisa estar conectada aos passivos da entidade, ou seja, às obrigações futuras com os participantes. Para ele, essa mudança de perspectiva altera a visão de investimentos.
“Quando nós mudamos esse eixo, a forma de pensar em investimentos muda completamente, porque passa a prevalecer a ideia do que precisamos fazer para garantir minimamente aquelas obrigações futuras”, destacou.
Durante o painel, o gerente detalhou como a Funpresp-Jud estrutura seus perfis de investimento com base em modelos de ciclo de vida e fundos data-alvo, permitindo segmentar diferentes grupos de participantes, de acordo com características, como idade, horizonte de acumulação, data provável de aposentadoria e perfil de risco.
Segundo Almeida, esse modelo possibilita uma gestão mais aderente às necessidades de cada massa de participantes e reduz decisões motivadas por movimentos de curto prazo do mercado. “Os passivos passam a ser o fiel da balança, direcionando a forma como fazemos os investimentos e a alocação dos ativos”, explicou.
O debate também abordou os desafios de equilibrar rentabilidade, solvência e prudência na gestão dos recursos previdenciários. No mesmo painel, Carlos Renato Salami, Diretor Financeiro do Isbre e Secretário Executivo do Colégio de Coordenadores de Investimentos da Abrapp, ressaltou a importância de integrar as exigências do passivo à estratégia de investimentos. E Luciana Bassan, Coordenadora Suplente da Comissão Técnica Sudoeste de Investimentos da Abrapp, destacou a relevância de simulações e análises integradas na tomada de decisão das entidades.
O 15º Seminário de Investimentos nas EFPC reuniu especialistas, dirigentes e profissionais do setor previdenciário para discutir tendências, cenários econômicos e estratégias de gestão de investimentos nas Entidades Fechadas de Previdência Complementar.