Por Jurandir Sell Macedo, Doutor em Finanças Comportamentais
O otimismo é um dos recursos mais valiosos que a evolução nos legou. Ele nos faz levantar pela manhã com a convicção de que o dia será bom, investir em projetos que ainda não existem e construir relações que dependem de confiança no futuro. Nossos ancestrais que se arriscaram a caçar, explorar e enfrentar o desconhecido deixaram mais descendentes do que aqueles que ficaram escondidos esperando a ameaça passar; o otimismo foi, literalmente, mais fértil. Talvez o ato mais radical de otimismo que um ser humano pode praticar seja ter filhos, pois trazer uma vida ao mundo é uma aposta total no futuro, uma declaração de confiança de que vale a pena continuar. Porém, como quase tudo na vida, o otimismo precisa ser temperado com prudência; os excessivamente otimistas, provavelmente, viraram comida de leão.
Quando o otimismo nos faz acreditar que “comigo não vai acontecer”, deixamos de nos preparar para acontecimentos desagradáveis que não queremos que aconteçam, mas que são possíveis, mesmo que pouco prováveis. Os gregos tinham uma imagem para isso: a deusa Fortuna, girando uma roda sem parar. No topo, reis e heróis. Na base, mendigos e desafortunados. E o giro nunca cessava. Não era uma visão pessimista do mundo; era um convite à consciência sobre os limites do que controlamos. Contemplar a roda não significa desistir de subir; significa não esquecer que é da natureza da roda girar.
Quanto mais bem-sucedida é nossa vida, mais tendemos a esquecer que, sem aviso prévio, a sorte pode virar. Quando pensamos na nossa carreira, normalmente imaginamos uma trajetória previsível: anos de trabalho, contribuições mensais, crescimento do patrimônio e, finalmente, a conquista de uma renda para a aposentadoria. Só que a vida nem sempre segue o roteiro planejado. Uma doença grave, um acidente ou qualquer condição que impeça o exercício permanente da atividade profissional pode interromper essa trajetória muito antes do esperado. É nesse momento que surge uma pergunta importante: como ficaria sua renda se você perdesse a capacidade de trabalhar amanhã? Ter conhecimento sobre as proteções disponíveis pode fazer toda a diferença.
A ilusão da autossuficiência financeira
É cada vez mais comum ouvir influenciadores financeiros pregando que, se deixarmos de pagar a previdência oficial e aplicarmos esse dinheiro por conta própria, o patrimônio acumulado será maior na aposentadoria. Em condições normais, isso até pode ser verdade, mas há um senão fundamental: e se a pessoa ficar incapacitada por acidente ou doença grave? E se vier a faltar e tiver dependentes? O capital acumulado individualmente não tem a menor condição de cobrir esses riscos com a mesma eficiência de um sistema coletivo. Agir apenas com foco no rendimento, sem considerar a cobertura de riscos, é uma forma de otimismo que a roda da fortuna costuma punir.
O mesmo raciocínio se aplica a quem defende investir por conta própria em vez de aderir a um plano patrocinado como o JusMP-Prev. Aqui, é extremamente improvável que o rendimento seja maior: o plano oferece redução do Imposto de Renda na fase de acumulação, conta com a coparticipação do empregador e ainda possui renda vitalícia, vantagens que nenhuma aplicação individual replica. E há algo ainda mais importante do que o rendimento: a cobertura de riscos. E é exatamente aí que entra o Fundo de Cobertura de Benefícios Extraordinários, o FCBE.
O FCBE permite algo impossível para um investidor isolado: compartilhar riscos raros e de alto impacto com milhares de outras pessoas. Um acidente incapacitante aos 35 anos é um evento improvável para cada indivíduo, mas inevitável quando observamos uma coletividade de milhares de participantes. É justamente essa lógica de mutualismo que torna possível oferecer proteções que nenhum investimento individual consegue reproduzir com a mesma eficiência. Além da renda vitalícia, garantida ao participante patrocinado no caso de sobrevivência, acima da estimativa gerada pela tábua de mortalidade, ele passará a receber 70% do último benefício, vitaliciamente, com recursos vindos do FCBE.
O que mudou na previdência dos servidores e o que isso significa para você
Conhecer as mudanças recentes na previdência é o primeiro passo para planejar com responsabilidade. A Lei 12.618/2012 alterou profundamente as regras do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) para os servidores públicos federais. Para aqueles que ingressaram após a implantação da Funpresp-Jud, em 14 de outubro de 2013, o benefício do RPPS passou a observar o mesmo limite do RGPS, atualmente de R$ 8.475,55 mensais. Para servidores com remuneração acima desse valor, a parcela de renda acima desse limite dependerá da reserva acumulada na previdência complementar.
Isso significa que, na ausência do JusMP-Prev, uma incapacidade permanente total pode resultar em uma queda brutal de renda, independentemente dos anos de contribuição. Planejar a proteção previdenciária não é opcional para quem tem responsabilidade com o próprio futuro e com quem depende dele.
O Seguro de Renda: a proteção que nenhum outro produto financeiro oferece
O Seguro de Renda da Funpresp-Jud protege o participante e sua família nos casos de invalidez permanente total ou morte, custa menos, tem prêmio dedutível do IR em até 27,5% e, conforme simulação no site da Funpresp-Jud, representa menos de 40% do valor cobrado pela seguradora privada mais barata.
Você pode simular os valores para o seu perfil em https://www.funprespjud.com.br/seguro-de-renda/.
Cuidar do futuro é um ato de otimismo
A roda da Fortuna não pede licença para girar. Às vezes ela nos leva a lugares melhores do que imaginávamos; outras vezes, impõe desafios que jamais escolheríamos enfrentar. Não podemos controlar o movimento da roda, mas podemos decidir como nos preparar para ele. Agir com consciência e responsabilidade sobre a própria proteção previdenciária é exatamente isso: transformar incerteza em segurança e vulnerabilidade em proteção do patrimônio construído ao longo de uma vida. Cuidar do futuro não é um ato de pessimismo. É uma das formas mais inteligentes de exercer o otimismo.
Se você ainda não revisou seu cadastro no JusMP-Prev, não atualizou seus beneficiários ou tem dúvidas sobre as coberturas disponíveis, este é o momento de agir. O conhecimento está ao seu alcance; a responsabilidade de usá-lo também.